A indignação diante de um crime é legítima, mas permitir que a violência substitua a Justiça coloca toda a sociedade em risco.
No entanto, em meio à comoção, também surgiram episódios de vandalismo e tentativas de fazer justiça com as próprias mãos. É justamente nesse momento que precisamos refletir sobre os limites entre a revolta legítima e a quebra da ordem pública.
Durante todo o dia, ouvi perguntas como:
- "Por que a polícia não deixa a população agir?"
- "Por que os policiais não entregam o suspeito ao povo?"
- "Por que a polícia está protegendo quem cometeu o crime?"
Esses questionamentos nascem da dor e da revolta. Mas a resposta precisa ser dada com serenidade.
O papel da polícia é garantir a lei
Independentemente da gravidade do crime investigado, a função das forças de segurança é preservar a ordem pública e assegurar que a lei seja cumprida.
No Brasil, a Constituição garante o direito à vida e ao devido processo legal. Isso significa que cabe à Justiça julgar e aplicar as punições previstas em lei, e não à população.
Quando uma multidão tenta substituir o Estado, o risco é que a violência se espalhe e atinja pessoas inocentes, além de enfraquecer as próprias instituições responsáveis por garantir a segurança da sociedade.
O verdadeiro desafio está na punição dos criminosos
A cobrança da população deve existir, mas precisa estar direcionada aos problemas que realmente impedem o combate eficaz à criminalidade.
É legítimo exigir investigações rápidas, processos eficientes e o cumprimento das penas impostas pela Justiça. Também é legítimo defender mudanças na legislação para que criminosos respondam por seus atos de forma proporcional à gravidade dos delitos.
Essa discussão fortalece o Estado de Direito. O vandalismo, ao contrário, apenas cria novos crimes e novas vítimas.
Não podemos agir como aqueles que condenamos
Muitas pessoas que acompanharam os acontecimentos estavam nas ruas movidas apenas pela curiosidade ou pela solidariedade à família da vítima.
Entretanto, também houve quem se aproveitasse do clima de tensão para incentivar atos de destruição e incitar a multidão.
Essas atitudes não representam a população de Canavieiras nem contribuem para a construção de uma sociedade mais segura.
Canavieiras quer paz
Nossa cidade sempre foi reconhecida pelo espírito acolhedor de seu povo.
É natural que a população se revolte diante da violência. Mas é justamente nos momentos mais difíceis que precisamos reafirmar nosso compromisso com a lei, com a justiça e com o respeito à vida.
Combater o crime não significa abandonar os princípios que sustentam uma sociedade democrática.
Canavieiras precisa continuar exigindo segurança, eficiência das instituições e punição para quem comete crimes, mas sempre dentro dos limites estabelecidos pela Constituição e pelas leis.
A paz não nasce da vingança. Ela é construída pelo fortalecimento da Justiça e pelo compromisso coletivo com a ordem e a cidadania.








Os PMs eram pra deixar a população fazer justiça com as proprias mãos...
ResponderExcluirNão é essa justiça que queremos Ermeson. É dever da polícia zelar pela vida, mesmo que seja a do criminoso. Obrigado por seu comentário.
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