Caso Master: bloqueio de bens impede venda de terreno de Jaques Wagner para projeto do novo CT do Bahia


Negociação envolvendo área em Camaçari foi interrompida após cartório receber ordem de indisponibilidade de bens expedida pelo STF

As investigações do Caso Master continuam produzindo reflexos que vão além da esfera política. Desta vez, uma negociação imobiliária envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) acabou interrompida por determinação judicial e atingiu um projeto ligado à expansão da estrutura do Esporte Clube Bahia.

Um terreno localizado em Camaçari, que seria incorporado ao empreendimento onde está sendo construído o novo Centro de Treinamento do clube, teve sua transferência suspensa após um cartório receber a ordem de indisponibilidade de bens determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O episódio se soma a outras movimentações patrimoniais atribuídas ao senador que passaram a ser alvo de atenção no âmbito das investigações.

Projeto esportivo acabou afetado pela medida

A área negociada integra a região escolhida para receber o futuro complexo esportivo do Bahia, desenvolvido pelo City Football Group, controlador da SAF tricolor.

O projeto prevê uma estrutura moderna destinada ao futebol profissional, às categorias de base e ao futebol feminino, além de um empreendimento imobiliário planejado para o entorno.

Segundo informações divulgadas, o terreno possui aproximadamente 51 mil metros quadrados e foi avaliado em cerca de R$ 15,8 milhões. A negociação, no entanto, não chegou a ser concluída em razão do bloqueio judicial que impede a transferência dos bens.

Embora a medida tenha alcançado um imóvel relacionado ao empreendimento do Bahia, não há indicação de qualquer envolvimento do clube nas investigações conduzidas pela Polícia Federal.

Entenda por que os bens foram bloqueados

A indisponibilidade patrimonial foi determinada no contexto das apurações conhecidas como Caso Master, investigação que busca esclarecer supostas irregularidades envolvendo empresários ligados ao Banco Master e pessoas citadas no inquérito.

Como medida cautelar, o Supremo autorizou o bloqueio de bens de investigados para impedir eventual alienação de patrimônio durante o andamento das investigações.

Foi justamente essa determinação que impediu o registro da venda do terreno em cartório.

Outro imóvel também teve negociação interrompida

Além da área destinada ao projeto do novo centro de treinamento do Bahia, outra operação imobiliária envolvendo Jaques Wagner também acabou sendo alcançada pela decisão judicial.

Dias antes, já havia sido divulgada a suspensão da transferência de um apartamento localizado em Salvador, igualmente atingido pela ordem de indisponibilidade de bens.

Os dois episódios reforçam o impacto imediato das medidas cautelares adotadas pelo Supremo enquanto o inquérito permanece em andamento.

Defesa mantém posição

A defesa do senador preferiu não comentar os novos desdobramentos relacionados às negociações imobiliárias.

Em manifestações anteriores, Jaques Wagner negou ter cometido irregularidades e afirmou que as operações patrimoniais possuem natureza privada e não guardam relação com eventuais ilícitos investigados.

Até o momento, o senador não foi condenado, e o processo permanece na fase de investigação.

Caso continua sob análise do STF

O Caso Master segue em tramitação no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro André Mendonça.

Novas diligências ainda poderão ser realizadas pela Polícia Federal, enquanto o Ministério Público avalia os elementos reunidos no inquérito.

Até que haja conclusão do processo, permanece válida a presunção de inocência dos investigados, conforme prevê a Constituição Federal.

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