Diretora da Escola São Boaventura rompe o silêncio e relata reuniões sobre possível transferência do hospital

Em carta aberta, a professora Sirley Marinho afirma ter participado de reuniões, visitado imóveis e recebido informações sobre uma possível desocupação da unidade escolar durante a reforma do Hospital Régis Pacheco.

Sirley Marinho de Carvalho decidiu divulgar uma carta aberta para apresentar sua versão sobre os fatos relacionados à reforma do Hospital Régis Pacheco.

A controvérsia envolvendo a reforma do Hospital Municipal Régis Pacheco ganhou um novo capítulo em Canavieiras. Após a divulgação de documentos do Conselho Municipal de Educação e manifestações do vereador Tiago Medrado, a diretora da Escola Comunitária São Boaventura, Sirley Marinho de Carvalho, publicou uma carta aberta à população na qual apresenta sua versão sobre os acontecimentos.

No documento, a gestora afirma que decidiu se manifestar para esclarecer informações relacionadas à possível utilização da escola durante as obras de reforma do hospital. Segundo ela, a publicação tem como objetivo preservar sua trajetória profissional e responder às especulações que passaram a circular na cidade.

Diretora relata reunião com representante da gestão

Na carta, Sirley afirma que foi chamada para uma reunião com um representante da administração municipal, ocasião em que teria sido informada verbalmente sobre a possibilidade de a escola interromper temporariamente suas atividades para viabilizar a reforma do hospital.

Segundo o relato, ela manifestou preocupação imediata, argumentando que a unidade atende 268 estudantes, incluindo dezenas de alunos com necessidades educacionais específicas, e que uma mudança dessa dimensão exigiria planejamento, participação da comunidade escolar e definição prévia de um espaço adequado para continuidade das aulas.

A diretora afirma ainda que, posteriormente, foi informada de que a conversa não havia sido formalizada em documentos.

Carta descreve visitas técnicas e busca por imóveis

Outro ponto apresentado pela diretora diz respeito às visitas realizadas para avaliação de possíveis locais destinados ao funcionamento da escola durante o período de obras.

Ela afirma que conheceu as instalações de uma antiga unidade escolar acompanhada por representantes da Secretaria Municipal de Educação, mas considerou o imóvel inadequado por apresentar limitações estruturais, como salas pequenas, ausência de refeitório, dificuldades de acessibilidade e espaço insuficiente para atender a comunidade escolar.

A carta também relata a visita a outro imóvel, onde teriam sido discutidas condições para eventual locação pelo período aproximado de 14 meses.

Segundo Sirley, ainda houve tentativas de encontrar outro espaço para receber parte dos alunos, proposta que, conforme relata, acabou não sendo aceita pela instituição envolvida.

Conselho de Educação já havia demonstrado preocupação

Conselho Municipal de Educação encaminhou ofícios solicitando esclarecimentos e estudos técnicos sobre a proposta.

As declarações da diretora surgem poucos dias após o Conselho Municipal de Educação encaminhar ofícios ao prefeito, ao Ministério Público e à Câmara de Vereadores.

Nos documentos, o conselho afirma que tomou conhecimento da intenção de utilizar a Escola Comunitária São Boaventura durante a reforma do hospital, informa que não foi consultado previamente sobre a proposta e solicita uma série de estudos técnicos antes de qualquer decisão.

Entre as informações requeridas estão cronograma da obra, pareceres da Vigilância Sanitária, plano de atendimento aos estudantes e documentos administrativos que justificassem eventual utilização do prédio escolar.

Prefeitura mantém versão oficial

Apesar dos relatos apresentados pela diretora e dos documentos encaminhados pelo Conselho Municipal de Educação, a Prefeitura de Canavieiras mantém a posição divulgada em nota oficial.

A administração municipal afirma que é falsa a informação de que o Hospital Municipal Régis Pacheco seria transferido para uma unidade escolar durante a reforma e sustenta que o projeto foi planejado para assegurar a continuidade dos serviços de saúde sem interrupção do atendimento.

Até o momento, a Prefeitura não se manifestou especificamente sobre os fatos descritos na carta aberta da diretora.

Debate permanece aberto

Com a divulgação da carta, o caso ganha novos elementos e amplia o debate sobre a condução da reforma do Hospital Régis Pacheco.

De um lado, a Prefeitura reafirma que nunca existiu um plano para utilizar uma escola como unidade hospitalar temporária. De outro, documentos do Conselho Municipal de Educação, manifestações do vereador Tiago Medrado e o relato da diretora da Escola Comunitária São Boaventura apontam que essa possibilidade chegou a ser discutida durante o planejamento da obra.

A expectativa agora é de que os órgãos de controle e fiscalização analisem os documentos já protocolados e eventuais novos esclarecimentos apresentados pelas partes envolvidas.

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