PF aponta frequência de ligações entre Jaques Wagner e ex-sócio de Daniel Vorcaro em investigação do caso Master

Relatório da Polícia Federal cita dezenas de contatos telefônicos entre o senador e o empresário Augusto Lima, investigado na Operação Compliance Zero. Defesa nega irregularidades.

Relatório da Polícia Federal aponta frequência de contatos entre o senador e o empresário investigado.
A investigação da Polícia Federal (PF) sobre o chamado caso Master ganhou um novo capítulo com a divulgação de um relatório que aponta uma frequência significativa de contatos telefônicos entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo informações reveladas pela revista VEJA, o relatório da PF registra 74 ligações telefônicas entre Wagner e Augusto Lima ao longo de 555 dias, totalizando aproximadamente cinco horas e meia de conversas. Para os investigadores, o volume de contatos reforça a existência de uma relação próxima entre os dois, elemento considerado relevante no contexto das apurações. 

Relatório integra investigação da Operação Compliance Zero

A Operação Compliance Zero investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master.
Os dados fazem parte da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal para apurar suspeitas envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas ao grupo empresarial de Daniel Vorcaro.
De acordo com a investigação, Augusto Lima é apontado como um dos principais elos entre Jaques Wagner e interesses relacionados ao antigo Banco Master. A PF apura se essa relação teria sido utilizada para favorecer interesses privados junto ao poder público.

Investigadores analisam contexto dos contatos

Segundo a reportagem da VEJA, os investigadores não destacam apenas a quantidade de ligações, mas também a frequência com que os contatos ocorreram durante o período analisado.
Para a Polícia Federal, esse conjunto de informações deve ser examinado em conjunto com outros elementos já reunidos durante a investigação, como mensagens, registros financeiros e documentos apreendidos em fases anteriores da operação.
O senador afirma que não cometeu irregularidades e nega favorecimento ao Banco Master.

Defesa de Jaques Wagner nega irregularidades

O senador Jaques Wagner tem negado qualquer prática ilícita.
Após ser alvo de busca e apreensão em fase anterior da Operação Compliance Zero, o parlamentar afirmou que sua relação com Daniel Vorcaro era "praticamente zero" e sustentou que seus contatos ocorreram principalmente por intermédio do empresário Augusto Lima, em assuntos relacionados ao Credcesta e a questões pessoais.
Wagner também negou ter recebido vantagens indevidas ou atuado em favor de interesses do Banco Master.

Caso segue sob investigação

Até o momento, a divulgação do relatório da Polícia Federal não representa conclusão sobre eventual responsabilidade criminal dos investigados.
As apurações continuam em andamento e caberá às autoridades competentes analisar o conjunto das provas reunidas antes de eventual apresentação de denúncia pelo Ministério Público.
Os investigados têm direito ao contraditório e à ampla defesa durante todo o processo.

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